Passeia horas a fio na marginal do Rio Sado andando de lá para cá e de cá para lá conversando com antigos camaradas e por vezes observando o horizonte.
O Tóino adora o mar e a sua faina. Há muito que deixou para trás a vida de marítimo. Um acidente num barco da sardinha e agora passa os dias na doca. Por vezes ao recordar o tempo passado desloca-se até á Tróia nos barcos brancos da senhora do cais. Por vezes o genro do Tóino oferece-lhe um passeio especial levando-o ao Portinho da Arrábida para descobrir na saída da barra. O alento de tempos passados. O Tóino adora a barra! É a saída e a entrada destes. Agora os tempos já são outros. O esvoaçar das gaivotas já não se vê com tanta frequência, as barcas e as traineiras também já andam pouco por estas águas.
São outros tempos meu rapaz: agora o Tóino anda preocupado com as festas que andam por aí aparecer. As festas do Senhor do Bonfim recordam-lhe os tempos da pesca do bacalhau, correndo-lhe uma lágrima escondida desses tempos difíceis. Era o encontro no Jardim do Bonfim onde os pescadores confraternizavam antes da partida para a Gronelândia. O Tóino anda ansioso pelo dia da final da Taça de Portugal, não vê outro resultado se não a vitória do seu Vitória. Para Agosto já têm lugar marcado na traineira do Varela para as festas da Tróia. Se tudo correr normalmente são três dias de devoção e de festa na Caldeira.
Nota: Fotografia de João Neves retirada do site Olhares.
